Analisando o poder e a dor em “TINA: O Musical de Tina Turner”
Quando se trata de mulheres que marcaram a cultura pop moderna, poucos nomes têm tanto impacto quanto Tina Turner. Uma força da natureza, um artista sem igual e um ícone da música, Turner criou uma persona tão única que continua a inspirar artistas até hoje. Mas, além da voz poderosa, dos vestidos brilhantes e das perucas que eram sua marca registrada, Turner era uma guerreira e uma sobrevivente, e TINA: The Tina Turner Musical se certifica de honrar o legado dela com honestidade e elegância.
Coelhinho bobo, lantejoulas são pra divas
Nascida como Anna Mae Bullock, Turner começou sua carreira musical nos anos 50 como integrante da banda de Ike Turner, os Kings of Rhythm. Ela se tornaria um nome conhecido em toda a América como parte da dupla Ike & Tina Turner durante os anos 60 e 70, antes de, por fim, deixar sua marca como cantora solo e se destacar como a Rainha do Rock ‘n’ Roll.
Sua ascensão aparentemente meteórica ao estrelato mundial já era de tirar o fôlego, mas os looks deslumbrantes e a voz premiada no Grammy consolidaram ainda mais seu lugar na história da música. Mas, infelizmente, nem tudo que reluz é ouro, e a vida de Turner teve sua cota de desilusões e dificuldades.
Por trás dos holofotes
Abordar o enredo da Tina Turner não é tarefa fácil. Por um lado, é preciso encontrar uma atriz principal com carisma e talento vocal suficientes pra dar conta do recado. Felizmente, esse musical acertou em cheio com a artista australiano-zimbabuense Ruva Ngwenya, que não só tem a aparência certa para o papel, mas também a voz perfeita.
Em seguida, vem a roteirização (a cargo da indicada ao Tony Award e vencedora do Prêmio Pulitzer Katori Hall, junto com Frank Ketelaar e Kees Prins), que precisaria explorar como a Bullock se tornou a Tina Turner sem se esquivar de um aspecto bem difícil dessa jornada: seu casamento abusivo com Ike Turner. A química da dupla e a maneira brilhante como elas se complementavam no palco e na música elevaram o trabalho delas, mas, por trás da Mágica, havia uma trajetória trágica marcada pela violência, pelo controle sufocante e pela luta de uma mulher para encontrar sua própria voz e desafiar todas as adversidades.
A arte de consertar um vaso quebrado
A arte japonesa da laca de kintsugi usa um método que preenche as áreas quebradas com ouro, prata ou platina em pó. Ao contrário do que muita gente pensa, isso não foi só uma tentativa de deixar algo quebrado mais bonito - era uma forma de mostrar claramente a habilidade dos artesãos e a lealdade deles ao senhor e ao ofício.
Os looks do Turner são, pra dizer o mínimo, lendários. O body com lantejoulas é sinônimo da imagem dela e, muitas vezes, parece ser um símbolo do seu poder, status e legado. Mas o enredo dela é tanto de glamour quanto de resiliência, dedicação e complexidade. Como um vaso quebrado remendado com ouro, as peças ousadas da Turner se destacavam como armadura que ela usava com orgulho quando voltou à cena nos anos 80.
Proud Mary, continua queimando
Além dos looks e das escolhas narrativas, TINA também usa de forma inteligente a música da Turner como um espelho da alma dela, narrando sua jornada de maneira maravilhosa por meio de alguns de seus maiores sucessos musicais.
Dá pra perceber um tom de rebeldia bem claro na versão do show de Proud Mary, um cover da música do Creedence Clearwater Revival que o Ike e a Tina costumavam tocar, e dá pra perceber um toque de desgosto em músicas como O que o amor tem a ver com isso?.
Mas, o mais importante, dá pra perceber a pura resiliência e a alegria em Simplesmente o melhor, uma verdadeira joia tanto do show quanto da vida do Turner. Afinal, ela realmente era, e sempre vai continuar sendo, a melhor.
Não perca o último show de TINA: O Musical da Tina Turner num dos locais mais incríveis de Brisbane, o Lyric Theatre, antes que o show se despeda da cidade e continue sua tour pela Austrália.












